O Jurássico Superior hoje, ao pé de nós

--- divulgação de um trabalho científico feito por alunas do 11ºA ---

Nestes dias de confinamento arrumámos coisas, pastas e ideias, libertámo-nos de umas tantas e aconchegámo-nos a outras que, entretanto, adquiriram maior significado para nós. Experiências vividas na proximidade dos outros, sem o perigo de contágios que não fossem coisas boas, puderam nestes últimos meses ser recordadas de forma mais vivida, como se o passado quisesse ser olhado de novo para se tornar presente outra vez.

A escola não se faz apenas entre paredes e nos moldes convencionais. Aquilo que aprendemos, ouvindo e fazendo, fará sempre a diferença, ainda que, na altura, pareça que estamos apenas a divertir-nos. No verão, a Ciência Viva organiza saídas de campo, ações bem dispostas de divulgação científica dirigidas à população em geral. A Sara Alves participou numa dessas saídas em 2018 e, com a sua colega Margarida Vieira, usaram essa experiência passada como mote para uma investigação atual sobre os vestígios do Jurássico Superior numa zona de calcários situada entre S. Martinho do Porto e a Nazaré. Jazidas fossilíferas onde se observam marcas de ondulação (ripple marks) numa praia rasa jurássica, pegadas de dinossauros, construções recifais de rudistas e corais, vestígios da presença de bivalves, moluscos, gastrópodes, amonóides, estrelas e ouriços do mar, ilustram a História da Terra e da Vida numa altura em que o Homem não existia, nem animais que connosco se parecem ou que connosco mais se relacionam, como gatos, coelhos, porcos, cães, patos e periquitos.

Estes espaços têm um grande valor patrimonial, científico e cultural podendo servir de complemento ao turismo balnear se soubermos preservá-los, o que nem sempre parece estar a acontecer.

As fotos e comentários abaixo constam do trabalho das alunas e dizem respeito à área de estudo.

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(A) Pegada profunda de um Terópode (Sara ALVES, 2018). (B) Pegada em risco de meteorização e erosão (Sara ALVES, 2018). (C) Trilho composto por, pelo menos, 11 pegadas tridáctilas feitas por dinossauros com cerca de 1,60 m que se deslocavam a sensivelmente 9,8 km/h, uma velocidade considerada rápida para animais tão pequenos (in Portugal em Pedra). (D) Fósseis de gastrópode Turritella sp. (Sara ALVES, 2018).

Baseado no trabalho investigativo das autoras:

Alves, S.; Vieira, M. (2020). "Exploração sustentada das Jazidas Fossilíferas do

Jurássico Superior entre a Serra de Mangues e a Praia do Salgado". ESFRL.